Na madrugada de quarta-feira, dia 23, cerca de 150 pessoas, entre
jovens, mulheres, idosos e crianças, foram violentamente surpreendidos
pelo efetivo da polícia militar e do batalhão de choque. A mando de
quem? Da Dircon – Diretoria de Controle Urbano e Obras da Cidade do
Recife, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura
do Recife. Mais especificamente, da Secretária da Pasta, Sra. Maria José
di Biase. O motivo? Aquele que mais se tem visto Brasil a fora:
Ocupação popular que representa a luta por moradia.
A ação, conforme amplamente noticiado pela grande mídia, atingiu diretamente 47 famílias, que tinham suas casas sobre e ao lado do conhecido Túnel de Boa Viagem, área nobre da cidade, e que, sem qualquer chance de defesa, viram seus barracos serem destruídos. Por volta das quatro horas da manhã, operários da Dircon,
acompanhados de soldados da polícia militar e do batalhão de choque,
cercaram a comunidade do Bom Jesus e invadiram (literalmente!) as
moradias da população que ali residia. As crianças, que não são poucas,
ficaram impossibilitadas de irem à escola, enquanto seus pais, ao
faltarem seus empregos, assistiam suas casas e seus móveis serem
destruídos. Representantes da Prefeitura, presentes no local, ao serem
questionados acerca da notificação prévia das famílias de que a ação
iria ocorrer, quedaram-se inertes.
Por volta das 11 horas da manhã, 47 casas estavam no chão, o que
significa dizer que 47 famílias estão desabrigadas. Indignados (as) e
sem terem para onde ir, os (as) moradores (as) da comunidade deliberaram
pela ocupação da Câmara de Vereadores do Recife, o que vem acontecendo
desde então. Na verdade, inexiste qualquer justificativa social, política e
jurídica capaz de legitimar a atitude adotada pela Prefeitura. Ainda que
a ocupação se encontrasse em área não edificável, a truculenta
derrubada das casas, desamparada de qualquer auxílio ou assistência
social, não resolve o problema, apenas, procura invisibilizar uma
situação de desamparo criada pelo próprio Estado, que jamais assegurou a
essas famílias o direito constitucional da moradia. A pauta do movimento é concreta: uma alternativa para aqueles que
perderam seus lares e, junto com sua família, não sabem para onde ir. A
luta, agora, é resistir!
Fonte: CLC – Coletivo de Luta Comunitária e Comunidade do Bom Jesus







